quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Decisão de retorno do monotrilho é adiada em Poços de Caldas, MG

18/12/2014 - G1

Concessionária e prefeitura não entraram em um acordo referente ao TAC. Nova audiência foi marcada para o dia 11 de fevereiro do ano que vem.

A decisão sobre o retorno do monotrilho em Poços de Caldas (MG) foi adiada mais uma vez depois de uma reunião na tarde desta quarta-feira (17). Após quase duas horas de audiência com o promotor Emmanuel Levenhagen Pelegrine, os representantes da prefeitura e da empresa J. F. Ferreira Ltda., concessionária responsável pelo meio de transporte, não entraram em um acordo e pediram um prazo para fazer a revisão de algumas cláusulas do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

As considerações deverão ser entregues até o dia 28 de janeiro e uma nova audiência foi marcada para o dia 11 de fevereiro de 2015.

Há quase um mês, no dia 18 de novembro, foi realizada uma audiência pública a pedido do Ministério Publico para discutir a situação do monotrilho e o objetivo foi fazer o TAC com obrigações tanto para a empresa quanto para a prefeitura. Durante o encontro foram ouvidos representantes da concessionária, do poder público, do Ministério Público, engenheiros e também moradores da cidade.

Problema antigo

Aprovada em 1981, a construção do monotrilho previa 30 quilômetros, mas apenas 8 foram entregues em 2000. Entre 2001 e 2003, o meio de transporte – e também atração turística – funcionou poucas vezes e foi marcado por uma pane técnica durante a viagem de inauguração. Na ocasião, dezenas de pessoas precisaram ser retiradas pelo Corpo de Bombeiros. Após a queda de duas pilastras, o monotrilho parou de vez e há mais de 10 anos está inoperante.

Um impasse entre a construtora e a prefeitura impede que a edificação volte a funcionar. A concessionária culpa a administração pública pela queda dos pilares de sustentação e pede que seja feita uma análise da estrutura que ainda existe. Em 2012, a prefeitura compôs uma comissão de engenheiros para elaborar um parecer técnico sobre as condições estruturais do monotrilho. Depois das análises, a comissão salientou a necessidade de contratação de uma empresa especializada para avaliar a estabilidade, segurança e integridade da edificação, alegando que toda estrutura está há muitos anos sujeita ao desgaste natural e sem manutenção adequada.

A empresa J. F. Ferreira Ltda tem a concessão do monotrilho até 2041. Após este prazo – que é de 50 anos a partir da data que entrou em vigor – um novo acordo deverá ser feito com a prefeitura.

Fonte: Do G1 Sul de Minas 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Monotrilho de Poços de Caldas pode ser demolido

01/10/2014 - O Tempo - BH


A obra inacabada do monotrilho de Poços de Caldas, no Sul de Minas, pode nunca cumprir o papel de servir como transporte coletivo para os moradores. Enquanto o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) tenta reativar o sistema, a prefeitura do município estuda demolir a estrutura se ela representar algum perigo para a população. Em 2003, dois pilares da estrutura desabaram

"Estamos buscando fazer um laudo. Caso ele mostre que há riscos, tomaremos medidas jurídicas para a demolição", informou o secretário municipal de Governo, Fernando Posso.

Visionária para a época, a construção do monotrilho foi aprovada em 1981. Menos de 8 km dos 30 km previstos foram entregues em 2000. Porém, na viagem de inauguração, uma pane técnica interrompeu a estreia. Em 2003, dois pilares de aproximadamente 6 m de altura desabaram, dificultando que o monotrilho funcionasse a pleno vapor. "O laudo da perícia aponta que a prefeitura é a culpada pela queda dos pilares por causa de obras de desassoreamento do rio Lambari", informou o promotor Emmanuel Levenhagen. Já o secretário de Governo disse que a queda aconteceu há mais de dez anos e que esse não é o motivo das obras estarem paradas até hoje.

A empresa J. Ferreira Ltda. construiu o monotrilho e tem a concessão para operá-lo por 50 anos. A reportagem tentou contato com os proprietários, mas ninguém foi encontrado nos telefones da empresa. No escritório do advogado da companhia, José Cardilho, a reportagem foi informada que ele estava viajando.

Mediação. A promotoria pretende propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a prefeitura e empresa. Segundo Levenhagen, a ideia é permitir que a empresa coloque o monotrilho para funcionar em parte do trajeto já construído. Isso vai possibilitar um estudo de viabilidade do projeto.

Depois da experiência e caso o sistema se mostre viável, um acordo definitivo poderá ser feito. A prefeitura se dispôs a conversar com os promotores.

Moradores cobram solução definitiva para o imbróglio

Há mais de 30 anos, quando o projeto do monotrilho foi idealizado, os moradores de Poços de Caldas ficaram empolgados com a novidade. Agora, todos esses anos depois, eles querem que o poder público tome uma decisão, independentemente do destino que será dado ao modal de transporte.

Enquanto o problema não é resolvido, a gerente administrativa Janaina Santos, 38, teme que o resto da estrutura desabe. "Lembro-me vagamente das pessoas animadas com a novidade. Como já caiu um pedaço, pode acontecer o mesmo com o restante. Ou colocam para funcionar ou retiram de vez", considera Janaina.

O cabeleireiro Mateus Alves de Oliveira, 23, considera que valeria a pena manter a estrutura. "Deveria terminar para ser um atrativo a mais na cidade", diz.

Caso estivesse funcionando, o monotrilho de Poços de Caldas ligaria hoje o terminal de linhas urbanas, no centro, à rodoviária do município.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Impasse deixa monotrilho abandonado em Poços de Caldas

30/09/2014 - Bom Dia Brasil

Ministério Público tenta acordo para que transporte volte a funcionar. Advogado da prefeitura alega que não há recursos para assumir projeto.

Bom Dia Brasil

O monotrilho de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, foi um dos primeiros do Brasil. Mas por causa de um impasse entre a empresa que tem a concessão e a prefeitura, ele está abandonado.

Ao longo dos sete quilômetros de extensão, as árvores já alcançam os trilhos, que estão enferrujados e soltos. Em alguns pontos, parte do concreto ameaça ceder. Situação bem diferente de quando o aposentado Sidney Machado andava no monotrilho. "Era bacana, eu levava meus meninos para jogar bola no parque. Eles iam de monotrilho", relembra.

O contrato de concessão entre a prefeitura e a empresa é de 1981. A ideia era ligar o centro à rodoviária. O documento, feito à mão, permitia à construtora administrar o serviço por 50 anos.

O monotrilho foi construído para ser uma atração turística, mas também uma alternativa para o transporte público. A fase experimental começou em 1991, quando o trem chegou a rodar por alguns dias, até que apresentou um problema e teve que parar.

Os testes com passageiros recomeçaram em 2000. Mas o trem descarrilou em uma curva e 19 pessoas tiveram que ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. Três anos depois, parte da estrutura caiu. A construtora culpa a prefeitura pela queda e pede que ela construa os pilares e faça uma análise da estrutura que ainda existe.

Agora, o Ministério Público tenta um acordo para o que o monotrilho volte a funcionar. O advogado da prefeitura alega que a administração não tem recursos para assumir o projeto.

"Realmente é uma coisa que para adaptar hoje seriam necessários vários milhões de reais. Então temos que pensar, pensar na ideia da operacionalização como uma segunda opção. A primeira opção realmente é demolir", diz o procurador-geral do município Dalmo Luiz da Silveira.

"Deveria ser feito a reativação dele que seria um grande ganho para a cidade. Poços é uma cidade turística, eu tenho certeza que seria um ganho não só para cidade como para região", comenta o comerciante Luis Felipe Cioffi.

A empresa que tem a concessão do monotrilho disse que pretende fazer um acordo com a prefeitura para que o monotrilho possa voltar a circular.

sábado, 19 de julho de 2014

Monotrilho ou Metro. O que BH precisa?

17/11/2013 - Sos Mobilidade Urbana

O recurso de 4 bilhões prometido para a construção do metrô será suficiente para 8 km apenas, atendendo a região Centro Sul da cidade. Mas e o restante?

Jose Aparecido Ribeiro

Recolhido à minha insignificância de cidadão e estudioso do assunto de mobilidade urbana, consciente de que o valor da palavra em BH depende de quem faz uso dela, arrisco fazer um alerta, que possivelmente será em vão, mas precisa ser dado, mesmo não sendo politicamente correto. Explico: BH não precisa de metrô. E se você é um daqueles que não aceita ouvir isso, é do time dos que precisa entender melhor o assunto para não correr o risco de defender uma ideia que vai contra todo o corpo de engenharia da cidade. Mesmo sendo o sonho de consumo da população não é o modal de transporte mais recomendável para a capital.

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As razões são varias. Para ser viável economicamente ele precisaria transportar 70 mil passageiros hora sentido. Ou seja, em BH, ele é praticamente impagável, pois a demanda de transporte publico da cidade exige um modal que carregue 30 mil passageiros atualmente. A matemática é para leigos e facilmente compreendida, se considerarmos o custo de construção do metro que é de nada menos que 400 milhões o km. O recurso de 4 bilhões prometido para a construção do metrô será suficiente para 8 km apenas, atendendo a região Centro Sul da cidade. Mas e o restante? Antes que me digam que BRT resolve, sua implantação em outros corredores como Av. Amazonas, Av. Contorno, Via Expressa, Pedro II, Anel Rodoviário e outros, seria prova inequívoca de insanidade.

Com muita sorte, construir um metrô ligando o Centro ao Belvedere exigiria um esforço de engenharia monumental, pois estamos falando de uma subida com mais de 6% de inclinação. A própria topografia tornaria o projeto inviável. No meio técnico de engenharia, os especialistas são unanimes: com o mesmo valor investido, a cidade poderia ganhar 20 km monotrilho, ou (metro leve), cujo custo de implantação é da ordem de R$100 milhões o km, ou seja 4 vezes menos do que o metrô subterrâneo, e com o mesmo apelo de conforto, designe e capacidade transportada, podendo chegar até 48 mil passageiros, hora pico sentido que é o que a cidade precisa para os próximos 50 anos.

A experiência de São Paulo, que deu certo, precisa ser considerada. A primeira linha esta praticamente pronta e tem 27 km de trilhos suspensos que não consomem espaço onde ele é disputado e caro. Ainda ha tempo de optar por um modal mais eficiente e economicamente viável. Depende apenas de decisão política e melhor compreensão do tema. As recomendações não são deste insignificante cidadão, mas de todos os engenheiros especialistas ligados as principais entidades do setor.

Jose Aparecido Ribeiro

Consultor em Mobilidade e Assuntos Urbanos

Presidente do Conselho Empresarial de Política Urbana da ACMinas

CRA MG 08.0094/D – 31-9953-7945

Fonte: SOS Mobilidade Urbana